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Tenho Depressão? - Uma Busca Dentro do Contexto

Mais um dia, mais um artigo. E nesse, vamos tentar responder, ou elucidar uma pergunta que no mínimo, 34 pessoas se fazem por ano e que tentam encontrar a resposta online, em vez de procurar alguém que possa responder em um serviço de saúde, já que para respondê-la, apenas palavras em um texto não são suficientes, a pergunta que é: Tenho depressão?


Logicamente, não é uma resposta fácil e vou colocar palavras em um texto para descrever isso. Você deve achar isso um pouco contraditório, mas se isso ajudar alguém a procurar ajuda, diria que ele fez sentido em existir. O processo diagnóstico não é apenas um olhar para uma lista de sintomas, averiguar a presença de X ou mais sintomas dentro do período esperado, fechar-se em casa e isolar-se do mundo já que, sim, você tem um diagnóstico depressivo!


Mas antes de tudo, temos que ter uma conversa intensiva e consistente sobre um outro assunto. Os sintomas não aparecem por apenas um dia, quiçá por uma semana. Mudanças de humor, sentimentos ruins e a disposição para fazer as coisas mudam conforme o tempo e as situações do cotidiano. Seria bizarro dizer que a pessoa está depressiva se todas as pessoas que ela conhecia sumiram da face da terra ontem.

The Leftovers – Série boa, recomendo, mesmo que seja uma referência meio desconhecida.

Em transtornos depressivos, o que temos é uma constância de um estado, não o estado em si. Um padrão consistente de comportamento e uma descrição de estados emocionais que perduram, e perduram, e perduram. Você já viu como são perturbadores filmes em que as pessoas só tem uma emoção ou que ela consegue eliminar todas. Felicidade, tristeza, etc… Ninguém na vida real é assim, inclusive pessoas depressivas, se pudéssemos viver sem emoção, pareceríamos um robô.

Me desculpe Dave, mas não posso sentir isso.

Mas chega de delongas, vamos ao que você veio ler, depois de quase uma página de avisos e poréns. Provavelmente se você chegou até aqui, até se esqueceu que o artigo é para saber se temos um Transtorno Depressivo Maior ou não.


Você já deve ter visto um filme de comédia romântica em que o personagem principal termina um relacionamento duradouro ou importantíssimo e começa a ficar em casa, sem vontade de sair. Até que outras pessoas, amigos, filhos, pais ou colegas de trabalho fazem a personagem viver altas confusões e terminar com o novo par romântico. E o filme acaba nesse ponto, já que o desenrolar de relações não vendem tanto quanto o primeiro beijo, obrigado, Rachel e Ross! Um dos principais sintomas depressivos é esse, queda no interesse da pessoa por fazer as coisas, que pode passar de não ir mais para os compromissos fora de casa, como também apresentar comportamentos de higiene.

Hoje sim, hoje sim… Hoje não! - Bueno, Galvão.

Mas uma pessoa depressiva não passa só por isso. Tem diversos transtornos que apresentam esse comportamento. Se você quiser saber qual a programação da televisão de madrugada, ninguém melhor para perguntar que uma pessoa depressiva, já que o Corujão da Globo é bem frequentado por pessoas assim, mesmo que antes ela não ficasse acordada até o Jornal Nacional. Ou você pode encontrar pessoas depressivas que não vão te contar isso, mas podem descrever os sonhos que ela teve durante a Sessão da Tarde e o Corujão.


E com lanchinhos na cama, seja por fome ou para aplacar aqueles sentimentos horríveis que a pessoa tem, sem nenhum tipo de exercício físico, sem um controle mínimo de ingestão de calorias, pessoas depressivas tendem a mudar de peso. Mas não apenas para cima, a depressão não é indício daqueles quilinhos a mais que vão incomodar entre dezembro e março, já que, para outras pessoas, ocorre uma perda de peso, por não ter vontade de comer ou até mesmo por não sentir a fome. O importante aqui é: Uma mudança considerável no peso.


A vida do lado de fora é uma droga, vou dormir tarde e acordar meio-dia, ou vou comer para tentar sanar esse vazio e conseguir lidar com tudo isso.


Exatamente, poucas pessoas gostam de sofrer, e para aquelas que gostam, um pouquinho de controle desse sofrimento é essencial. E essas mudanças condizem com o fim desse sofrimento, pelo menos no agora. Mas como um banco cobrando aquela dívida no cartão de crédito, vencida a cinco meses, só pagando o mínimo, quase incontrolável já, o problema aparece depois ou se agrava com o tempo. Menos amigos, sem trabalho, dificuldades de locomoção, abuso de substâncias. A lista vai longe, como a do cartão.


E você deve ter aquele amigo. Sabe aquele que nunca quer sair, mesmo que para ver o jogo do Pernalonga e companhia conta alienígenas do espaço, na presença de Michael Jordan. E mesmo indo, dizem estar desanimadas, sem energia, que não vão comemorar com a equipe a vitória intergalática. Esses tipos de falas, junto com as reclamações constantes do que tá ruim, vida amorosa, trabalho, escola ou dores (vai longe o que pode estar ruim na vida), são bons indícios de uma pessoa com depressão, a não ser que as reclamações sejam parte do jeitinho dele.

Eu não gosto de basquete, prefiro criket. - E essa referencia envelheceu mal...

Pensando nisso tudo, não tem como ter sentimentos negativos, já que eles são um reflexo de como estão as coisas. As coisas vão de mal a pior, sendo a única opção possível uma escapada disso, se fechando em casa, idealizando o suicídio. Com todas essas questões, é fácil dizer que a depressão é um problema que deve ser tratado de uma maneira séria, mesmo que com uma tentativa de humor acoplada, sendo que, se você tem depressão, muitas das suas risadas no passo para a melhora, terão que ser forçadas.


Se você já viu alguém se afundando em areia movediça, sabe bem como se sai dela. Você age como se estivesse em uma piscina e quase que sem movimentos, nada para a borda. Quem se debate só afunda. A depressão é o efeito contrário, se você não se digladiar, vai afundar. Então, se você conhece alguém, você, um colega, um amante e acredita depois de ler tudo isso que ele tem depressão, o principal ato é ajudar ele a brigar, chamando ajuda, indo de encontro a ele. Seja o contexto que ele precisa.


Então por hoje é isso, até a próxima e tenham um dia reforçador.

Se você está localizado em Sâo Paulo, Santo André, São Bernardo ou São Caetano ou tem facilidade de locomoção pelo metro, venha conhecer as nossas instalações.

A clínica localizada entre a Rua Bom Pastor e a Avenida Nazaré, próximo ao Museu do Ipiranga.

Próximo as estações Alto do Ipiranga e Sacomã da Linha 2 Verde do Metro.

Permita-me participar da sua mudança!

© 2019 por Gustavo Engelmann Cunha.